CONTÉM SPOILERS
O drama da Netflix lançado em 2019 traz os personagens Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver) enfrentando as consequências burocráticas e, principalmente emocionais, que estão envolvidas em um processo de divórcio; bem como a disputa pela guarda do filho Henry (Azhy Robertson), de 8 anos.
Além de um ótimo roteiro e de grandes interpretações, grande parte do sucesso do filme se dá porque a identificação com o espectador é imediata. Todo mundo que já passou por um processo de separação já viveu situações semelhantes às mostradas no filme.
Logo de cara, nos deparamos com um casal que claramente já não olha na mesma direção e desejam coisas diferentes. Nicole busca sair da sombra do prestígio do marido (já que os dois trabalham juntos), enquanto ele está voltado para seus próprios projetos. Porém, o afeto que os unia continua ali, fato que fica marcado na fala de Nicole para a sua advogada: "Não é tão simples como: o amor acabou".
A narrativa é interessante pois revela o ponto de vista de cada um a respeito do divórcio, apesar de ser mais focado no universo da esposa, já que é ela que decide pela separação. O filme também faz uma crítica sobre o papel social da mulher enquanto esposa e mãe que, a partir do momento que se casa, acaba deixando de lado suas próprias vontades para colocar em primeiro plano a carreira do marido.
A tentativa do casal de proteger o filho de toda turbulência também não se concretiza. Apesar do desespero do pai para se manter próximo a Henry, a relação entre os dois vai ficando distante. Com isso, Charlie acaba tomando decisões que não levam em consideração a subjetividade da criança. Também é retratado, de maneira sutil, os sintomas que Henry faz estando no meio deste processo, como sua dificuldade em ir ao banheiro ou seus problemas com a leitura; mostrando o quanto as crianças podem ser sensíveis em momentos que os pais se encontram em crise.
A partir de determinado ponto da história os personagens decidem partir para um processo litigioso, com a interferência de advogados, que representam o olhar do outro para o papel que é socialmente esperado para cada um dos pais. Tentando sempre apontar os defeitos da outra parte, tentam moldar seus clientes nos estereótipos de pais perfeitos. Para ele, o provedor financeiro; para ela, a mãe incondicionalmente perfeita, como por exemplo, no discurso da advogada Nora (Laura Dern), no link abaixo.
Neste momento, o afeto que sustenta a relação dos dois é o ódio; que também é uma oportunidade de se manter vinculado ao outro quando o amor já não é suficiente. Quando decidem afastar da relação aquilo que o outro espera deles é conseguem finalmente expor suas mágoas em relação ao casamento e ao divórcio, a relação é ressignificada e aqueles conflitos são solucionados. Demonstrando desta forma, a importância do diálogo para um relacionamento.
O ciclo se fecha quando a lembrança do que aquele casal já foi um dia se torna viva novamente. Mais uma vez o afeto se converte, transformando o ódio em cumplicidade.
O filme traz diversas outras discussões. Se você acha que deixamos falar sobre algum ponto importante, deixe seu comentário.




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