Dia 28 de Junho foi celebrado o dia do Orgulho LGBTQIA+. A data marca a luta desta comunidade por igualdade de direitos e exigência de respeito para exercerem suas identidades com liberdade. Pensando nesta data, o texto de hoje vai falar um pouco sobre a sexualidade humana pelo olhar da Psicanálise.
Este é um dos pontos mais importantes e polêmicos da teoria freudiana já que o autor, no início do século xx, observou que a sexualidade já se desenvolve a partir da infância. Para satisfazer certas curiosidades (como nascem os bebês, por exemplo) as crianças começam a fazer algumas investigações.
Suas primeiras fontes de informação são os pais, que naturalmente são tidos como aqueles que têm o conhecimento. Porém, geralmente os adultos subestimam a capacidade de compreensão da criança, partindo para respostas evasivas, explicações lúdicas, ou até mesmo a repreensão da criança. Logo ela percebe estas explicações como insuficientes para satisfazer a sua curiosidade, começam a desconfiar dos adultos, acreditando que eles estão lhe escondendo algo importante e proibido.
Cada criança vai receber isso de maneira singular, portanto não se pode estabelecer um padrão para os "conflitos psíquicos" que possam vir a surgir dessa fase. Porém, geralmente as formas de educar as crianças neste sentido é de certa forma padronizada, é uma tentativa de enquadrar a pulsão em padrões.
Para a Psicanálise a sexualidade na vida adulta permanece com o seu caráter infantil, que não é determinada pelos genitais. É uma condição e diz respeito a uma estrutura psíquica que corresponde às marcas deixadas no corpo do sujeito ao longo da sua vida. Estas marcas deixam impressões e estão em constante atualização conforme novas experiências acontecem.
Além de infantil, a sexualidade tem o caráter perverso. Perversão aqui tem o sentido de transgressão, ou seja, é uma alteração de uma função dita como normal. Ora, se a sexualidade é definida pelos genitais, pelo aparelho reprodutor (como era determinado pela comunidade médica e científica antes), o beijo é uma perversão, já que a boca é um órgão do aparelho digestivo. Já parou para pensar nisso? Então o caráter perverso da sexualidade tem este sentido, já que as práticas sexuais adultas não estão necessariamente ligadas aos genitais.
A terceira característica da sexualidade postulada por Freud é que ela é polimorfa. Isso tem a ver com a escolha do objeto de desejo que não é único e pode assumir várias formas, assim como a sexualidade.
O que Freud propôs foi uma mudança no conceito da sexualidade humana. Se antes ela estava relacionada ao coito heterossexual para fins de reprodução, agora ela assume uma definição muito mais complexa. Apenas o instinto não é capaz de defini-la, pois o instinto se satisfaz com um objeto único. Já a sexualidade humana está ligada ao conceito de pulsão, que não possui objeto definido e está sempre ligada a busca por satisfação. Por isso não podemos definir regras ou normalidade quando falamos em sexualidade. Cada um vive a sua de acordo com suas experiências e é nosso dever respeitar todas as formas de amar.

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