O Luto Infantil
É certo que as crianças possuem a incrível facilidade de se
readaptarem de forma mais rápida e, muitas vezes, de maneira mais tranquila que
os adultos. Uma das razões para que isso ocorra é que ela ainda não está
carregando as cicatrizes que o indivíduo vai colecionado ao longo dos anos, ainda
não é tão resistente às mudanças e o “novo” desperta mais a curiosidade do que
o próprio medo. É claro que para esse processo ser favorável vai depender, e
muito, de como são conduzidos os fatos no meio em que está inserida. Se ela
cresce em um ambiente em que o “novo” é visto como algo negativo, que mudanças
são cruéis, ela provavelmente vai absorver isso como uma verdade e levar para
si todas as cargas desse tipo de sentimento.
Quando falamos de luto infantil em razão da morte, por exemplo, temos
a tendência a imediatamente proteger a criança acreditando que omitir os fatos
ou tentar distraí-la evitando tocar no assunto, seja o melhor a ser feito. No
entanto, ainda que doa, a verdade é
sempre o melhor caminho e algumas dicas são importantes nessa hora: estabelecer
uma linguagem apropriada para que haja o entendimento da criança, deixar ela se
expressar, (e nunca tentar oprimir), todos os seus sentimentos em relação a
perda, respeitar seu espaço e permitir, (e não obrigar), que ela participe do
ritual de despedida do seu ente querido, são alguns caminhos que podem ser
seguidos. Embora possa parecer um processo traumático, são passos importantes
para a elaboração de um luto saudável. Passar pelas incertezas, medos, raiva,
negação, questionamentos, faz parte deste momento da mesma forma que acontece
com o adulto.
É interessante se
atentar que as formas lúdicas de contar o ocorrido também merecem atenção e cuidado
na hora de falar. Exemplificando, quando os pais explicam para o filho que “Papai
do Céu levou a vovó”, ou que “Ele quis que vovô (pai, mãe, irmão ou qualquer
pessoa que a criança tenha um vínculo afetivo), ficasse com Ele”, podemos abrir
uma brecha para que se crie uma revolta com aquele que teoricamente deveria
guardar a todos de todos os males, ou, ainda, que agiu covardemente, traindo a sua
confiança e levando para longe de si quem amava. Isso acontece porque muitas
vezes as crianças levam ao pé da letra o que falamos para elas. Neste caso, um ajuste
nas palavras pode ser suficiente para evitar uma má interpretação, como quando passamos
a dizer: “Agora a vovó está ajudando o Papai do céu a cuidar de você”. Neste
caso, Deus é retirado do papel de vilão e a vovó ganha importância e uma razão para
estar em uma nova realidade.
A maior das dicas, contudo, é sempre acolher
os sentimentos da forma como são expressados. A criança precisa perceber que possui
liberdade para falar, para chorar, para se expressar. E se por um acaso não
conseguir dar conta nesse momento que é tão singular e difícil, está tudo bem!
Procure um profissional e busque ajuda!

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