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Vamos Falar Sobre Luto? Parte VI


O Luto Infantil

Hoje iremos mergulhar no universo infantil e no pesar que carregam em um processo de luto. Sim, por mais que nos doa pensar nisso, nossas joias preciosas também passam pela dor e pelo luto desde o momento de seu nascimento, seja através do desmame, pela separação da mãe em função do retorno ao trabalho, seja pela transição da fase infanto para a juvenil, pela separação dos pais ou pela perda de um ente querido. Assim como nós adultos elas experimentam a frustração de encerramentos de ciclos e vão se adaptando as novas realidades impostas quase que naturalmente.

É certo que as crianças possuem a incrível facilidade de se readaptarem de forma mais rápida e, muitas vezes, de maneira mais tranquila que os adultos. Uma das razões para que isso ocorra é que ela ainda não está carregando as cicatrizes que o indivíduo vai colecionado ao longo dos anos, ainda não é tão resistente às mudanças e o “novo” desperta mais a curiosidade do que o próprio medo. É claro que para esse processo ser favorável vai depender, e muito, de como são conduzidos os fatos no meio em que está inserida. Se ela cresce em um ambiente em que o “novo” é visto como algo negativo, que mudanças são cruéis, ela provavelmente vai absorver isso como uma verdade e levar para si todas as cargas desse tipo de sentimento.

Quando falamos de luto infantil em razão da morte, por exemplo, temos a tendência a imediatamente proteger a criança acreditando que omitir os fatos ou tentar distraí-la evitando tocar no assunto, seja o melhor a ser feito. No entanto,  ainda que doa, a verdade é sempre o melhor caminho e algumas dicas são importantes nessa hora: estabelecer uma linguagem apropriada para que haja o entendimento da criança, deixar ela se expressar, (e nunca tentar oprimir), todos os seus sentimentos em relação a perda, respeitar seu espaço e permitir, (e não obrigar), que ela participe do ritual de despedida do seu ente querido, são alguns caminhos que podem ser seguidos. Embora possa parecer um processo traumático, são passos importantes para a elaboração de um luto saudável. Passar pelas incertezas, medos, raiva, negação, questionamentos, faz parte deste momento da mesma forma que acontece com o adulto.

É interessante se atentar que as formas lúdicas de contar o ocorrido também merecem atenção e cuidado na hora de falar. Exemplificando, quando os pais explicam para o filho que “Papai do Céu levou a vovó”, ou que “Ele quis que vovô (pai, mãe, irmão ou qualquer pessoa que a criança tenha um vínculo afetivo), ficasse com Ele”, podemos abrir uma brecha para que se crie uma revolta com aquele que teoricamente deveria guardar a todos de todos os males, ou, ainda, que agiu covardemente, traindo a sua confiança e levando para longe de si quem amava. Isso acontece porque muitas vezes as crianças levam ao pé da letra o que falamos para elas. Neste caso, um ajuste nas palavras pode ser suficiente para evitar uma má interpretação, como quando passamos a dizer: “Agora a vovó está ajudando o Papai do céu a cuidar de você”. Neste caso, Deus é retirado do papel de vilão e a vovó ganha importância e uma razão para estar em uma nova realidade.

A maior das dicas, contudo, é sempre acolher os sentimentos da forma como são expressados. A criança precisa perceber que possui liberdade para falar, para chorar, para se expressar. E se por um acaso não conseguir dar conta nesse momento que é tão singular e difícil, está tudo bem! Procure um profissional e busque ajuda!

 


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