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Vamos falar sobre luto? Parte VII


O Luto e a Maternidade

Enfim o sonho de ser mãe está prestes a se tornar realidade. A maternidade está latente, a gestação foi perfeita e o filho mais do que desejado. Impossível existir algum sentimento negativo diante de tanto amor, correto? Errado. Acredite, muitas mulheres não sentem a magnitude deste momento durante o puerpério, mas poucas possuem a coragem de externalizar seus sentimentos, pois crescemos ouvindo as maravilhas da maternidade, da magia de ser mãe, e, de repente, dizer que não se sente desta forma, é como se ela se tornasse um alienígena perante a sociedade. Mas saibam, que existem muito mais “seres de outros planetas” do que você possa imaginar. Primeiramente, para deixar claro, o que estamos falando aqui não se trata de depressão pós-parto e sim de um processo de enlutamento. Quer entender como funciona? Vamos lá!

O puerpério são os primeiros meses pós-parto que podem se estender por até dois anos. É nessa fase que podemos dizer que o luto pode ser instalado e elaborado. Você deve estar se perguntando: mas como assim? A mulher se tornou mãe e pode estar em luto? Será mesmo possível. A resposta é: sim! E é muito mais normal do que se imagina!

Quando a mulher se torna mãe automaticamente entram em cena várias questões: a falta de participação do companheiro, (ou a participação aquém do desejado), o replanejamento da carreira ou a frustração por não estar inserida nos momentos cruciais da empresa, a insatisfação com corpo, o desgaste emocional e físico decorrente da dedicação integral ao seu filho, (que acaba gerando um esgotamento maior do que imaginava), a falta de desejo sexual ou, ainda, a percepção de diminuição do desejo do parceiro, trazendo insegurança e, por vezes, diminuindo sua autoestima.

São várias perdas que a mulher vive neste período e ela precisa se adaptar e se ressignificar nessa nova fase. É o encerramento de um ciclo e o início de outro de uma forma abrupta. Agora ela não pode ser só mulher. Ela precisa ser mãe. Mais do que isso: ela precisa ser mãe sem anular a mulher. E isso embora possa parecer fácil é, na verdade, desafiador. Cuidar da casa, cuidar do filho, cuidar da carreira, cuidar de si, cuidar do seu relacionamento em um momento em que tudo é diferente. Sua rotina é outra, as horas de sono são menores, seu investimento emocional é maior, sua insegurança sobre todas as coisas borbulha sem mesmo entender direito o porquê. Não existe mais a possibilidade de frequentar a academia na hora que quiser, porque agora ela nem sabe se conseguirá ir; se antes ela não se importar com as horas extras realizadas no trabalho, agora isso é diferente, pois precisa pegar o bebê na creche ou chegar em casa para render a babá; não existe aquela noite romântica com seu companheiro, se não tiver quem fique com seu filho; Não tem como comer qualquer coisa, dormir até a hora que quiser, pois existe alguém que depende integralmente dela. E isso é assustador. A maternidade traz consigo a perda de autonomia total sobre sua vida. Pelo menos até determinado ponto.    

Mas o importante é saber que isso passa. Como qualquer tipo de luto, ele precisa de tempo para ser elaborado. É fundamental para quem convive com alguém nesta fase, acolher as angústias e entender que além de todo processo de se reorganizar em um novo cenário, de elaborar as perdas da vida anterior a maternidade, existe questões hormonais que influenciam diretamente no seu emocional. Por outro lado, a nova mãe deve entender que isso é um período necessário para sua reconstrução e que todos os sentimentos que eclodem são normais e, mais ainda, que este momento é crucial para a transformação de sua identidade.                                            


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