Em psicanálise, as pessoas que cuidam de uma criança representam funções, então temos as funções materna e paterna, que são fundamentais na constituição da subjetividade humana.
À função materna, cabe o papel do acolhimento e cuidados para com o bebê, o retirando da condição de desamparo, sentimento que ele vivencia com a sua chegada ao mundo, e garantindo a sua sobrevivência.
Já a função paterna fala sobre a inscrição desse bebê na sociedade, como um sujeito, com a introdução da lei, barrando a relação mãe-bebê, fazendo a mediação entre o desejo dos dois. A isso damos o nome de castração.
Essa interdição é importante porque é isso que permite que a criança se insira na cultura e seja capaz de criar laços sociais. Quando não acontece, a criança cresce no lugar de objeto para a mãe e não descola sua identidade psíquica da dela. Portanto, a função paterna tem papel estruturante na construção da personalidade da criança.
É sempre importante lembrar que não é necessário que essa função seja exercida por uma figura masculina. Como é uma função, qualquer pessoa que exerça esse papel pode ocupar o lugar de lei. Principalmente hoje em dia, onde temos diversas configurações familiares e se fala muito no enfraquecimento do poder paterno.
Isso porque o pai deixou de ocupar um lugar de transmissão de saber, que hoje pode ser encontrado na tecnologia ou no pensamento científico. Com isso, os pais que querem participar da criação de seus filhos têm que se reinventar e ocupar lugares que não estavam antes.
Apesar do vínculo entre pai e bebê ser de ordem diferente daquela entre a mãe e a criança, é importante que haja interação desde cedo com a criança, para que essa relação se fortaleça posteriormente.

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