Vamos falar sobre luto?
O luto e a morte.
Dentre todas as possibilidades da existência do luto está a perda, seja de uma pessoa próxima, um ente querido ou um bichinho de estimação. A perda vem representada pela figura da morte, apresentada por nós mesmos como persona malífica, cruel, que na sua frieza por vezes levam os bons e deixam os maus.
O luto traz na sua essência a dor avassaladora. Um sentimento que nos deixam sem chão, sem orientação. Não entendemos o porquê dos acontecimentos, sentimos raiva, medo, tristeza, vazio, culpa. Parece que a dor não vai ter fim. Mas acredite, vai passar. Tudo é um processo. Passamos pelas fases do luto quase que sem perceber: negação, busca pela figura perdida, raiva, desespero e aceitação. É claro que umas pessoas ficam mais em uma fase do que outras, pois cada um possui seu tempo e sua forma de sentir.
É muito importante entender que cada um reage de uma maneira. Existem os que consideramos frios, pois se mantém intactos, aparentemente inabalados, mas por dentro há uma destruição que só eles são capazes de saber; existem as pessoas que desabam, que se entregam a dor, e provavelmente sejam alvo de preocupação das pessoas que a cercam por ela deixar os sentimentos explodirem. Na verdade, a forma como a pessoa reage não é o motivo de alerta. É a forma como ela processa essa dor, como ela elabora e se ressignifica. E isso leva tempo. E cada um tem o seu.
Sentir doer é normal. É preciso respeitar o espaço, deixar que falem, que sintam. É preciso acolhimento. E é preciso paciência, pois o processo de enlutamento pode perdurar por até dois anos.
Um luto que ultrapassa esse período se transforma em luto patológico e por isso é essencial para que está ao lado da pessoa enlutada respeite o processo, mas se atente aos sinais de evolução e reorganização da sua vida.
Apesar de ser um processo doído e cheio de sofrimento, ao final as feridas são fechadas e o mundo começa a acordar novamente com o brilho de antes. E isso não quer dizer que a pessoa foi esquecida. Quer dizer que ela passou a estar dentro de nós e não apenas do lado de fora onde antes poderíamos tocá-la.
Ela passou a ser internalizada nas lembranças e momentos bons, e estará lá quando lembrar dela e o sorriso aparecer no seu rosto.
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