A gente segue uma tendência natural de tentar ser positivo para quem nos conta sobre uma dor. Sendo essa dor mental, essa tendência é até mais forte, porque socialmente as dores psíquicas são menos aceitas. Ocorre que tentar ser positivo sempre, sem ser atento e cauteloso pode ter efeitos negativos.
Essa postura positiva pode silenciar o sujeito. Muitas vezes quando direcionamos falas do tipo “Vai passar, é só uma fase”, “Não fica assim, levanta a cabeça e segue em frente”, “Você é mais forte que tudo isso”, “Isso é coisa da sua cabeça”, “Tenha fé, vai passar!”, a pessoa se cala e não tem sua angustia acolhida. Falar é sempre muito importante. A fala ajuda a pessoa em sofrimento a simbolizar e ressignificar o que está vivendo. Não à toa, o processo analítico é centrado na fala do sujeito.
Muitas pessoas que cometem violências contra si, entre elas o suicídio, talvez não tiveram a oportunidade de canalizar os sentimentos que as levaram para esse caminho. Uma maneira de se fazer isso é, com toda certeza, através da fala.
Ter um profissional que possa acolher e trabalhar com o paciente essas angústias, é fundamental. A escuta profissional legitima o que o sujeito fala.
Comentários
Postar um comentário