Luto Patológico – Quando o luto vira doença?
Na postagem anterior sobre o luto, entendemos que ele está presente em várias circunstâncias da nossa vida. Continuando nesta perspectiva, convido vocês a mergulharem nesse universo que vai além da morte e a manterem a visão aberta quando falarmos em perdas e luto.
Não há dúvidas que a perda por si só já é um processo demasiadamente doloroso. E seja qual for o motivo, se faz necessário ajustarmos os nossos sentidos neste novo cenário ao mesmo tempo que a nossa mente entra em um processo de reação e adaptação a uma nova realidade. Sentimento de impotência, raiva, desespero podem invadir. Um vazio toma conta, e de repente nos percebemos sem chão. A dor é certa e o sofrimento inevitável. Mas tudo isso faz parte do processo de enlutamento. E passar por ele é fundamental para que o luto prossiga de forma normal.
Mas afinal, o que é um luto normal? Ou ainda, quando o luto passa a ser doença? Um luto normal é aquele em que todo o processo ocorre por si só. Não é preciso “forçar” o indivíduo a seguir em frente. Ele passa por todas as etapas, uns de forma mais rápida, outros nem tanto, mas conseguem encerrar o ciclo e se permitem entrar em uma nova fase depois de uma reorganização da sua vida. É um período que pode se manter por 3 meses ou perdurar por até dois anos.
O enlutamento que dura um tempo maior se encontra em estágio preocupante e muito provavelmente já foi desenvolvido um luto complicado. Existe pelo menos dois tipos de luto que podem ser observados quando percebemos a existência dessa patologia: o luto adiado e o luto negado. No primeiro caso as reações, sensações, emoções imediatamente à perda não são experimentadas no momento do fato. Há uma demora no “cair da ficha”. Já o luto negado se caracteriza pelo bloqueio das emoções. O indivíduo se recusa a aceitar a nova realidade e continua agindo como se nada tivesse acontecido.
Não é de hoje que o luto e seus desdobramentos são estudados. Freud já falava sobre o luto como a dor pela perda do objeto amado e, por isso, o sofrimento poderia estar ligado tanto à morte como ao término de um relacionamento, por exemplo. Melaine Klein, por sua vez, acendia a luz para a existência do luto anormal, onde o sujeito possui uma relação interminável com o objeto perdido. O importante é se atentar na vida que não consegue retomar seu rumo, nas dores que não cessam, nas feridas que não cicatrizam, na ficha que nunca cai.
É claro que toda a forma de elaboração e processamento da perda vai depender de cada indivíduo, bem como em que circunstâncias o fato aconteceu, (leia- se “fato” como qualquer perda desnorteadora). Não há receita de bolo para passar por isso. Cada pessoa age e reage de acordo com sua individualidade, experiências e momento atual da vida. Cada indivíduo tem seu tempo e isso precisa ser respeitado. Ter espaço para falar, chorar, gritar, ficar em silêncio, se expressar é fundamental. Mas lembre-se: não podemos tirar a dor do outro, muito menos passar por ela no lugar de alguém. Só o próprio indivíduo é capaz de se reconstruir. Mas enquanto isso não acontece, seja empático e acolha o sujeito em sofrimento. Com certeza isso vai, ao menos, acarinhá-lo.
Se você está passando por isso, ou se conhece alguém com dificuldades de superar este momento, não hesite: procure ajuda de um profissional!

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